Comer gordura para queimar gordura pode parecer estranho, mas na verdade faz todo sentido e é o que prometem as dietas cetogênicas. No decorrer deste artigo vamos entender como isso acontece e porque essas dietas têm se tornado comuns recentemente.

 

A dieta cetogênica existe desde a década de 1920, quando foi desenvolvida nos Estados Unidos para ser empregada no tratamento da epilepsia refratária em crianças, ou seja, os casos de difícil tratamento. Entretanto, caiu em desuso com o advento de novas drogas anticonvulsivantes nos anos de 1940.

Hoje as dietas cetogênicas são utilizadas por muitas pessoas com o objetivo de perda de peso e de gordura, no tratamento da síndrome metabólica, da obesidade, do diabetes e até do câncer.

Mas o que é exatamente uma dieta cetogênica, como ela funciona, quais os seus benefícios e qual o melhor cardápio a seguir? Vamos entender cada um desses pontos em seguida.

O que é a dieta cetogênica?

As dietas geralmente recomendadas por nutricionistas incluem os carboidratos como principal fonte de calorias, seguidos por fontes proteicas e por último as gorduras, formando a famosa pirâmide alimentar. Entretanto, dependendo do objetivo de cada pessoa, esse esquema alimentar pode não ser o mais adequado.

Nas dietas cetogênicas, o esquema se inverte, a fonte energética é principalmente proveniente de gorduras, enquanto os carboidratos são ingeridos em quantidades mínimas. As proteínas devem ser consumidas em quantidades moderadas. Esse balanço leva a uma alteração de como as células obtém energia no organismo.

A escassez no fornecimento de carboidratos, força o fígado a quebrar a gordura proveniente da alimentação e do tecido adiposo em ácidos graxos e corpos cetônicos para obtenção de energia, aumentando os níveis destes últimos no sangue, daí o nome dieta cetogênica.

Como funciona a dieta cetogênica na perda de peso?

No início da privação de carboidratos, o primeiro estoque de energia mobilizado é o de glicogênio, presente no fígado. O glicogênio nada mais é que um carboidrato complexo que pode ser facilmente quebrado em glicose para ser liberada no sangue. A diminuição dos níveis de açúcar no sangue sem a reposição pela alimentação leva à liberação do glucagon, o hormônio que promove a quebra do glicogênio.

Quando todo o glicogênio é consumido, o organismo passa a buscar energia nos lipídeos, tanto provenientes da alimentação, quanto do tecido adiposo. No momento em que as gorduras passam a ser utilizadas como principal fonte energética, um balanço calórico favorável (ingerir menos calorias que a demanda diária) leva à queima dos estoques, ou seja, o organismo passa a consumir a gordura presente no tecido adiposo para conseguir energia e o efeito resultante é o desejado pela maioria das pessoas, a perda daquela gordurinha que tanto incomoda, com preservação da massa magra. Como já citado, essa quebra das gorduras leva à formação de corpos cetônicos que serão utilizados pelas células na obtenção de energia, e que caracterizarão o estado cetogênico.

Uma dúvida que pode surgir nesse momento é a seguinte: mesmo sem a ingestão de carboidratos, a glicose sanguínea não deve permanecer em níveis adequados? Sim, caso contrário há possibilidade de ocorrerem crises hipoglicêmicas que podem ter sérias consequências. Porém, o fígado é capaz de produzir a glicose a partir de outros compostos que não são carboidratos como lactato, glicerol (parte constituinte de triglicerídeos, ou seja, gordura) e aminoácidos, por um processo chamado gliconeogênese. Desta forma, mesmo sem a ingestão de uma grande quantidade de carboidratos a glicemia consegue ser finamente controlada pelo organismo.

A queima de gordura se torna mais fácil

Em dietas ricas em carboidratos, a fonte energética principal advém desse macronutriente. Todos os carboidratos são quebrados até glicose para serem então utilizados nas mitocôndrias, as organelas celulares responsáveis pela produção de energia com geração de ATP, a molécula que guarda toda a energia convertida. Essa é a via clássica de obtenção de energia. Um fornecimento abundante de glicose garante a manutenção desse ciclo e poupa a queima de outras fontes, as gorduras e proteínas.

Quando o corpo entra em estado de cetose, todo o sistema de oxidação de gorduras para obtenção de energia se torna ativado para garantir o suprimento energético na escassez de carboidratos, usando como fonte principal as gorduras, ou seja, o organismo se prepara para queimar a gordura de forma eficiente e esse processo se torna mais fácil.

Poupa a massa muscular

A dieta cetogênica é uma excelente forma de perder peso sem comprometer a massa muscular. O resultado disso é a redução do índice de gordura corporal e definição muscular. Com um fornecimento de proteínas adequado a partir da alimentação, ou seja, pelo menos 1,5g de proteínas por quilo de massa corporal por dia, e com a abundância de corpos cetônicos na corrente sanguínea, o corpo não precisa quebrar as proteínas dos músculos em aminoácidos para produzir glicose, evitando assim, o estado catabólico da massa magra. Além disso a quantidade de calorias consumidas também deve ser adequada, pois em dietas extremamente hipocalóricas a capacidade do fígado em metabolizar as gorduras pode não ser suficiente para fornecer a energia que o corpo precisa para todas as atividades diárias, o que, invariavelmente, vai levá-lo a buscar energia de outras fontes, ou seja, a partir da quebra de proteínas. Por isso um plano alimentar adaptado às condições individuais é extremamente importante para um resultado satisfatório.

Ajuda a controlar o apetite

Um aspecto importante do estado cetogênico, é que, além de estimular a quebra de gorduras, ele parece inibir o apetite quando associado a uma alta ingestão de proteínas, enquanto dietas ricas em carboidratos apenas levam ao aumento do apetite por desencadearem grandes variações e picos de insulina. Isso vai ajudar na manutenção da dieta, que se caracteriza por ser em porções de pequena quantidade, uma vez que as gorduras tem alta densidade calórica. A saciedade então, pode ser um obstáculo para quem quer seguir a dieta cetogênica, mas o lado bom é que após conquistar os altos níveis de cetonas se torna mais fácil.

Qual cardápio deve ser seguido em uma dieta cetogênica?

Uma dieta cetogênica deve ser rica em ovos, carnes, aves, peixes, castanhas, óleos saudáveis, abacate e vegetais com pequenas porcentagens de carboidratos. Bebidas como café e chá devem ser adoçadas com adoçantes, sendo que o mais recomendado é a estévia. Fuja de massas, pães, bolachas, doces em geral, alimentos industrializados, sucos, frutas com alta carga de açúcares, cereais e tubérculos ricos em carboidratos como batata e mandioca.

Veja abaixo uma sugestão de menu de refeições cetogênicas em um dia. As quantidades devem ser adaptadas a cada caso, considerando fatores como sexo, idade, nível de atividade física, consumo calórico basal e objetivo.

 

Categorias: Alimentação

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